FÉRIAS DE VERÃO (Kátia Pastre) Manhã caótica, caminho longo, as crianças querendo correr perto da rua, equilibro cadeira, guarda sol e me agarro às mãozinhas. Na garagem, que já não é mais, a senhorinha é amparada no seu passo curto de pernas palito, até ser colocada na cadeira, os olhos estáticos na rua. Um lar de velhinhos sem placa. No retorno, os pequenos padecem de cansaço e fome. Sol escalda cimento, que devolve tudo com força. Escuto o mantra areia, calor, sede e colo, mas me livrei da correria. Cabelinho branco, ela está sentada sozinha, olhos na rua sem nada ver. A telha de cimento faz sombra, mas sinto o bafo de estufa. A pele enrugada, a boca entreaberta, a cabeça meio trêmula, a cadeira na mesma posição, os pés na mesma posição, a coluna um pouco arqueada. Será almoço da cuidadora? ...