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Mostrando postagens de outubro, 2020

Paisagem - Kátia Pastre - anterior a 2008

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Hoje troquei meu tema de fundo. Gosto dessa paisagem que fiz em aquarela e papel Canson.  

FÉRIAS DE VERÃO

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  FÉRIAS DE VERÃO (Kátia Pastre)             Manhã caótica, caminho longo, as crianças querendo correr perto da rua, equilibro cadeira, guarda sol e me agarro às mãozinhas. Na garagem, que já não é mais, a senhorinha é amparada no seu passo curto de pernas palito, até ser colocada na cadeira, os olhos estáticos na rua. Um lar de velhinhos sem placa.             No retorno, os pequenos padecem de cansaço e fome. Sol escalda cimento, que devolve tudo com força. Escuto o mantra areia, calor, sede e colo, mas me livrei da correria. Cabelinho branco, ela está sentada sozinha, olhos na rua sem nada ver. A telha de cimento faz sombra, mas sinto o bafo de estufa. A pele enrugada, a boca entreaberta, a cabeça meio trêmula, a cadeira na mesma posição, os pés na mesma posição, a coluna um pouco arqueada. Será almoço da cuidadora?         ...

LIBERDADE?

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  LIBERDADE? (Kátia Pastre) (Independência ou Morte, Pedro Américo, 1888)             Na minha vadiagem, quase fui atropelado e pisoteado. Saí do caminho ganindo e fiquei apreciando a poeira nervosa. Depois segui tudo aquilo de uma distância segura, não tinha o porquê de eu perder aquela animação.             Depositei meu traseiro o ssudo do lado de um casebre onde um homem com fumaça fedida e uma garota sorridente sempre me deixam água e um pão dormido empapado em um pouco de leite. Por vezes até ganho um afago.             Do outro lado do rio, protegido pela ponte, eu achei esse mundo grande e bruto. Pouco tempo depois, fiquei só sem perceber. Estou por conta própria e o que me dão nesse casebre faz minha barriga doer menos. Como eu, eles não têm pés cobertos e nunca estão muito limpos.    ...

ÁCIDO

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  ÁCIDO (Kátia Pastre)             Retrucou rápido com um sorriso de canto de boca desprovido de charme, que fez seu interlocutor ficar com cara de quem se corroía de ódio por dentro. Ele com frequência desconcertava as pessoas com seus comentários e adorava saborear isso. Mais uma vez se orgulhou de ter a resposta perfeita, mas naquele dia não tinha tempo para gastar acariciando o próprio ego e saiu correndo em direção à rua. Tinha mais o que fazer. Comprara uma casa com a noiva, mas as pedras que revestiam o chão estavam judiadas e um pedreiro conhecido da mãe dele indicara um limpa-pedras miraculoso, que ele procrastinava a compra havia mais de mês. Se comprometera em levar o dito cujo naquele final de semana, e se chegasse de mãos abanando na casa da noiva, iria ouvir mais um sermão de caráter explicativo “do quanto ele não se importava”. Entrou na loja alguns minutos antes de fechar. Olhou o rótulo de rabo de olho e nã...